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Eu já havia passado dos cinquenta, mas mantinha um porte que chamava atenção. Alto, magro, ombros alinhados, os cabelos grisalhos me davam um ar de maturidade segura, quase serena. No ambiente de trabalho era conhecido pela discrição e pela postura firme, mas havia nele um silêncio cheio de vida, como se sempre observasse mais do que dizia.

Foi ali que conheci uma colega de trabalho.  Ela era magra, alta, com os olhos azuis.  As conversas começaram despretensiosas — comentários rápidos no corredor, um café dividido entre um compromisso e outro, pequenas confidências que surgem quando duas pessoas descobrem afinidades inesperadas. Ela tinha quase a mesma idade, um jeito leve de sorrir e uma elegância natural. Havia algo na maneira como me olhava que parecia sempre dizer mais do que as palavras permitiam.

Certo dia, entre uma conversa e outra, ela comentou, meio em tom de brincadeira, meio em tom de verdade, que sairia comigo se não estivesse comprometida. Apesar do desejo instantâneo que me percorreu da cabeça aos pés e das imagens que imediatamente comecei a criar na minha imaginação, respondi com a maior naturalidade, quase num sussurro tranquilo, que não via problema algum em sairmos juntos. Fiquei observando o silêncio por alguns segundos — não parecia um silêncio constrangedor, mas de admiração, surpresa, como se aquela resposta tivesse aberto uma porta invisível.

O tempo seguiu, mas aquele momento, aquela frase, sempre pairavam sobre nós cada vez que nos encontrávamos, como um perfume que insiste em permanecer no ar.

Até que, numa tarde comum demais para se tornar inesquecível, ela entrou na minha sala com passos apressados. O rosto levemente corado, a respiração curta. Pediu que eu trancasse a porta. Fiquei curioso mas percebi que não havia drama, apenas urgência. Do lado de fora, o mundo seguia igual; ali dentro, algo diferente começava a existir.

A proximidade veio primeiro como acaso — mãos que quase se tocam, um olhar que demora meio segundo além do necessário. Depois, se conecta por escolha. O silêncio entre nós passou a ter peso, calor, intenção. O abraço surgiu sem anúncio, como se já estivesse decidido muito antes daquele instante. O tempo pareceu diminuir de tamanho, comprimido entre dois corpos que se começavam a conhecer os seus caminhos. Os abraços começaram a ficar mais apertados, até que ela sentiu algo diferente crescendo entre nós. Lentamente ela começou a se abaixar até ficar de joelhos. Eu simplesmente não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ela abriu o zíper da minha calça e comecei a sentir o calor da sua língua e a pele delicada da sua boca no meu membro. Era um movimento contínuo e um prazer tão intenso que estava me levando à loucura, até que não aguentei mais. Imagens, emoções, sensações… Jamais esquecerei essa cena!

Não houve pressa. Havia apenas o som suave da respiração compartilhada e a sensação de que, por alguns minutos, o mundo externo perdeu nitidez, nada mais além daquilo importava, restava apenas o perfume dela no ar, o calor das mãos, a vertigem doce de algo proibido e ao mesmo tempo irresistível.

Quando finalmente nos afastamos, havia em nossos olhos um misto de surpresa e cumplicidade — como quem desperta de um sonho que não sabia que precisava sonhar. Nenhuma promessa foi feita, nenhuma explicação exigida. Apenas um entendimento silencioso de que certos momentos não pertencem ao futuro nem ao passado; pertencem somente ao instante em que acontecem.

E, às vezes, isso basta.

Marcelo B.

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